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29/10/04

Workaholic

Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 7:19

Estou trabalhando TANTO (para saldar dívidas, psicóloga, que parei mas ainda devo, conta no banco, etc) que fico imprestável no resto do dia. Inclusive nos dias em que estou livre, como amanhã.

Doze horas de trabalho em Pronto Socorro não dá para fazer todo dia, você sai muito acabado. Por isso eu acho que o Médico Emergencista é o profissional mais desvalorizado da Medicina. A bomba sempre cai na nossa mão. O paciente pode ser acompanhado pelo melhor cardiologista do planeta, mas aí ele tem um infarto, crise de hipertensão, derrame? Cai na MINHA mão.

Sem falar de ter que ouvir desaforo todo santo dia. Todo dia tem alguém reclamando que está demorando para atender (desde o pior hospital da periferia até o melhor da cidade) e você tem sempre que tentar ser diplomata e não levar para o lado pessoal.

Sim, eu gosto do que faço, mas não dá futuro. E estou completamente estafado essa semana.

O bom dessa semana? É que, bem… Talvez as coisas estejam dando certo, eu esteja conquistando quem estou tentando há mais de um mês. Se não der… Aguento o tranco.

Mas quero que dê certo sim.

Porque eu estou apaixonado.

We should be right here
Get through all this fear
One of these days

Cause when it comes along
We should be right here
One of these days

This could be heaven

This could be heaven

Livin’ for the part
Givin’ from the heart
Now and forever

But if we let it wait too long
What we have is gone
Memory only

This could be heaven
Maybe we could start a life today
This could be heaven
Love instead of throwin’ it all away

This could be heaven
You and me, we know we’re our best friends
This could be heaven

Whoever thought we would get this far
Tryin’ for all these years
The thought that we would fade away
Was more than I could bear
Oh, I would do anything if you would stay
If you’d stay’

(Seal - This Could Be Heaven)

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    10/10/04

    Been Crossing That Bridge With Lessons I’ve Learned

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 13:56

    Época esquisita. Anos esquisitos.

    2002, obcecado em virar médico, montando toda a minha carreira na minha cabeça, idealista, não muito feliz por ter largado tudo, até os amigos, por achar que Medicina era a coisa mais importante do mundo e nada chegava perto.

    2003, todos os meus sonhos médicos (os únicos na época) foram destruídos em um dia. No dia em que vi que meu nome não estava na lista de quem fora aprovado na residência, mesmo tirando nota para isso e sendo aluno da USP. Não foi culpa minha. E mesmo assim levou um ano e meio para eu conseguir pensar dessa forma. 2003, só dermatite atópica espalhada pelo corpo todo, noites sem sono, coçando, sangrando, e plantões. Muitos plantões. Se eu não tivesse a capacidade (que sei que poucos têm) de manter minha objetividade e racinalidade no trabalho mesmo num estado emocional péssimo, teria feito alguma merda.

    2004, metade não vivido como 2003. 1 ano e meio de trabalho como médico, até hoje sem conseguir economizar um centavo, em parte por culpa minha (uma ou outra extravagância consumista, nada exagerado) e principalmente por remédios, médicos alternativos, psicoterapia.

    2004, segunda metade. Juju me acordou para a vida me obrigando a sair em uma balada. Fazoko também, no dia seguinte. Dois amigos da internet com quem conversava quase todo dia há 2, 3 anos e não tinha conhecido ainda.

    A partir daí, apesar das crises no meio do caminho, dos tropeços, estou voltando a ser o Kioshi ‘original’. O cara que tinha sido visto pela última vez lá pelos idos de 2001.

    2004, setembro: achava que nunca mais iria passar por experiências como me apaixonar (ou mesmo ser considerado atraente por alguém que eu também achasse interessante, mesmo não tendo dado certo no fim) ou praticar atividade física de novo. Fui até DJ da Trash 80s por um dia. Penso até em fazer curso para virar instrutor de Spinning ano que vem, caso mantenha essa melhora e continue nesse ritmo nas aulas, o que vai me deixar com um condicionamento muito bom. Estou fazendo esgrima e achando o máximo.

    Fazer planos. Ter metas, algum sonho, um pouco (ainda) de idealismo. Coisas que voltaram há poucos meses. Que achava que nunca mais teria. Dá para imaginar viver um ano e meio assim? A man without hope is a man without fear.

    Só sobrou uma coisa. Sei que Medicina é fácil de estudar, só é extremamente extensa. Sei o que tenho que estudar, o tempo certo, a quantidade, para passar em tal carreira. Mas… Tenho medo. Medo da prova. Medo de novo fracasso. Posso fazer muito mais exercício do que qualquer um acha que aguento, posso ter mais pique e motivação para fazer as coisas que muita gente, posso conseguir empregos que meu padrinho, médico de 65 anos, não consegue por não ter os contatos que eu tenho. Posso até virar DJ residente de uma casa da Vila Olímpia se eu fizer um curso de 4 sábados.

    Mas eu me cago de medo dessa prova ainda.

    Há coisas que você apenas supera, nunca esquece. Será que está cedo demais, ainda, para eu conseguir deixar toda essa tortura que me impus para trás de vez? Para decidir definitivamente o que quero da Medicina? Por que eu acho que um ano a mais fará tanta diferença?

    ‘Fearless people,
    Careless needle.
    Harsh words spoken,
    And lives are broken.

    Forceful ageing,
    Help me I’m fading.
    Heaven’s waiting,
    It’s time to move on.

    Crossing that bridge,
    With lessons I’ve learned.

    Playing with fire,
    And not getting burned.
    I may not know what you’re going through.
    But time is the space,
    Between me and you.
    Life carries on… it goes on.

    Just say die,
    And that would be pessimistic.
    In your mind,
    We can walk across the water.
    Please don’t cry,
    It’s just a prayer for the dying.
    I just don’t know what’s got into me.

    Been crossin’ that bridge,
    With lessons I’ve learned.
    …learned……………’

    (Prayer For The Dying - Seal)

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