Your Vanilla Sky? It’s here and now, just look.
Madruga de segunda pra terça, assisti ao melhor filme do mundo, Vanilla Sky (pela quinta vez inteiro acho, se contar as vezes que vi uma ou outra cena do DVD dá mais de trinta).
Chorei metade do filme, nunca chorei tanto tempo na minha vida. Aliás acho que nunca chorei mais que cinco minutos. Aliás tem poucas coisas que eu levo mais de cinco minutos pra fazer, tirando isso que você tá pensando, seu indecente ;). Exercício também consigo fazer por horas, playstation 2, ler e…. acho que só. Estudar eu consigo às vezes, até uns doze minutos.
Mas enfim, chorei muito porque cada vez que vejo este filme, entro mais em seu espírito, sentido, clima, chame do que quiser.
(não leia os 2 próximos parágrafos se você não viu o filme)
O personagem do Tom (Cruise) tem um monte de coisas desejáveis na vida e vai apenas existindo, sem tirar muito proveito, não saboreia tanto o doce porque não conhece o amargo.
Até ele ficar deformado. Unable to function in the world, como ele diz. Como eu fiquei tanto tempo, me achando horrível, sem dormir, com dor o tempo todo, sempre deprê, esse papo todo de 2003/2004. Depois ele percebe que o que ele mais sentiu falta foram as coisas do dia a dia, as conversas, os relacionamentos, os momentos de prazer inocente não relacionados com a grana ou a fama dele. E no final… Quando ele sai da criogenia… Tudo o que ele quer é viver uma vida normal. The little things. There’s nothing bigger, is there?’
Depois de ver o filme e ter chorado que nem uma moça a maior parte do tempo, meio que percebi o quanto devo valorizar as partes boas da minha vida.
Acho que isso mudou um pouco minha atitude, porque tive um dia dos infernos hoje. Sério, fui o verdadeiro Dr. Carter hoje, 5 horas sozinho no pronto socorro (que geralmente tem 3 plantonistas) porque a outra tava doente, a outra teve problema e chegou horas depois, e o chefe só veio me ajudar a atender depois das tais 5 horas. Logo, não foi daqueles dias de PS que eu digo ‘pô, hoje foi foda’. Não foi reclamação do dia a dia, foi FODA mesmo.
Mas mesmo puto da vida, estressado na hora, não tive crise de coceira / dermatite, não perdi controle… Fiquei nos poucos momentos livres dando risada com a enfermagem, o escriturário, o povo que eu adoro lá naquele hospital. Conversando quando dava com uns pacientes gente fina quando eu não tinha que fazer o atendimento em série do tipo ‘10 fichas em uma hora’.
E é ter um pouco, mesmo que só um pouquinho às vezes, de sweet no seu dia que faz você conseguir aguentar o sour (amargo) numa boa.
Uma festa de formatura pode ser memorável. Entrar no vestibular mais difícil do país. A primeira vez que você beija uma menina. Momentos grandiosos da sua vida são necessários, mas os momentos legais / legaizinhos do seu dia a dia é que te propelem para frente.
E, apesar de não tão significativo, um dia falando besteira com alguém que você gosta, um dia fazendo uma coisa chata com boa companhia, essas little things, podem ser mais divertidas que os momentos grandiosos da tua vida.
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