
Esse é o Toby.
Ele chegou aqui há 15 anos, era uma bolinha de pêlo de 3 meses de idade. A vizinha da minha tia teve uma cachorra que deu cria e minha prima, pra convencer minha irmã a pegar um filhote, disse que era uma linda mistura de poodle com pequinês.
Mais vira lata que ele, impossível. E mais querido, também. Todo pretinho, com patinhas e focinho dourados que foram se tornando brancos ao longo do tempo.
Ele obedecia minha mãe fielmente quando ela estava sozinha com ele em casa. Já quando eu estava, qualquer ordem dela, ‘Vamos tomar banho’, ‘Vai pra caminha’, e ele deitava no meu colo e latia pra ela. Claro que não durava muito, era só minha mãe ameaçar bater nele que ele botava o rabo entre as pernas e saía correndo.
Se bem que, apanhar mesmo, foram 2 ou 3 vezes na vida inteira dele. Ele se safou 90% das vezes deitando com a barriguinha pra cima e fazendo cara de coitadinho pra minha mãe.
Nunca fez xixi ou cocô aqui em casa depois dos 5 meses, quando ele aprendeu a descer sozinho. Saía do apartamento, descia 6 lances de escada, dava sua passeada pela rua, que ia de 15 minutos a 4 horas e voltava ao prédio, esperando no elevador alguém levar ele para cima de novo. Estranhamente ele só aprender a subir as escadas até meu apê com 10 anos.
Por causa desse hábito de andar por aí na rua, quando a gente descia com ele, um monte de gente dizia ‘oi’ pra ele, sabia o nome dele. Pessoas que não fazíamos idéia de quem fossem.
E hoje ele foi embora.
Há 2 meses o veterinário diagnosticou um melanoma de cavidade oral (dentro da boca dele) em estágio avançadíssimo. O crescimento do tumor foi assustadoramente rápido e ele já estava sentindo dor o tempo todo apesar dos remédios, sem dormir, sofrendo demais.
E hoje o veterinário veio buscá-lo.
É estranho, ele fez parte de mais de metade da minha vida, quase todas as minhas memórias envolvem ele no meio de alguma forma, me sinto culpado por não ter percebido isso antes e talvez conseguir evitar que ele fosse embora, odeio estar tão mal de saúde que não consigo fazer coisas, agir, pelos outros, mesmo por quem mais amo.
Ah, chega, eu não consigo mais continuar, tô chorando pra caralho, minha dermatite atacada demais, tudo doendo, coçando.
Não acredito…
O meu taxolinho lindo que eu amo morreu.
