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20/04/05

Aggravated.

Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 19:53

Tenho recebido uns recados muito legais pelo blog, mas não tenho como responder porque não deixam mail nem nada, deixem algum meio para eu me comunicar, usem o mailform se não quiserem que seu mail apareça no site, etc ;)
É estúpido, não? Andei pensando muito ontem. Minha vida virou de cabeça para baixo nos últimos 3 anos por causa de uma coceira.

Uma coceira interminável e ininterrupta.

E quando eu tiver 35 anos, supondo que eu esteja livre ou quase livre disso?

Vou pensar: ‘Perdi 3, 5 anos da minha vida porque fiquei me coçando.’

Parece patético vendo por este lado, não? Quase uma anedota.

Sei lá.

Eu tô enxaqueca porque hoje eu estou quase normal, i.e., não estou precisando de um ventilador na minha cara o tempo todo para não me coçar e não tive que ter medo de tomar banho (porque arde todo o meu corpo quando tá ferido e etc.). E me ver quase normal me faz lembrar que eu sou um cara normal, que faz amigos facilmente, que teve um monte de mulher e consegue mais quando quiser, que teve um monte de emprego bom e se quiser arruma outro em 1 semana ou volta pra algum anterior e vendo por esses lados eu pareço não ter problema e fico me questionando que porra me incomoda tanto na minha vida para eu ter largado tudo isso e passado a viver me coçando com essa doença exacerbada quase em tempo integral. Acho que estou revoltado porque eu sinto que não precisava ser assim. Que, óbvio, eu não tenho controle sobre minhas crises e elas me incapacitaram, mas não deveria ser assim. Eu deveria ser ‘normal’ todo dia de novo.

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    17/04/05

    Not Fade Away.

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 2:54

    O meu ano passado foi bom em sua maioria.

    Fiquei nessas de dermatite até Abril, Maio, não me lembro bem, porém trabalhando (não estava tããão ruim). Mesmo assim, foram tempos difíceis, estava infeliz da vida e não via ninguém que não fosse do Hospital no meu dia a dia.

    Até que Juju (o blog dela foi encerrado), minha amiga da net de 2 anos, me convenceu a conhecê-la, na verdade me intimou porque estava de saco cheio de eu ter perdido minha vida social. Fiquei com a menina mais bonita que já fiquei até hoje, quase clone da Angelina Jolie (e amiga da Ju, hoho).

    Depois disso, tive um rolo com uma mestiça maravilhosa que conheci na Trash 80’s. Não durou, mas foi bom. Acabei sendo DJ por um dia da Trash e foi muito legal também.

    Me empolguei por estar vivendo de novo e resolvi realizar um sonho meio, hmmm, diferente, mas que me perseguia há mais de cinco anos: fazer esgrima.

    Fiz por 4 meses, estava indo bem, lutando, achando o máximo. E meu professor acreditava em mim, me colocava para lutar com os mais velhos, e eu ia bem até.

    Depois, em minha vida, que eu considerara ‘um lixo completo sem esperanças’ até a Juju me mostrar que não precisava ser assim, uma menina maravilhosa, amiga de minha amiga, pela qual fiquei completamente apaixonado. Não, não era amor ainda, era paixão. Ela tinha cabelos cor de fogo. Poderia virar amor, talvez virasse, eu tinha até aprendido algumas frases em judaico com uma mulher da academia que eu trabalhava de médico (por quê? minha pretendente era judia, catzo), me informado sobe a área específica da carreira dela que ela trabalhava, queria visitar alguns dos projetos dela, mais que isso, queria ver nos lindos olhos amendoados dela aquele olhar inexplicável de uma mulher que está realmente gostando muito de você. E o vi uma vez e não vou esquecer. Eu até tomava banho frio para minha dermatite não dar nenhum sinal de vida e não fumava nos dias que ia vê-la.

    Não deu certo, saímos irregularmente por 1 mês. Tudo bem, mesmo eu tendo ficado 3 meses pensando só nela. isso não me abateu. Logo, além da esgrima, estava na Runner, fazendo Yoga, Spinning, Musculação, até Street Dance (é eu gostava, sei que é metrossexual, mas eu gostava e voltaria a fazê-lo hoje se pudesse). Baladas 2 a 3 vezes por semana.

    Eu estava feliz. enquanto estava com ela, quando achava que ia dar certo, mesmo quando não deu fiquei feliz por ter vivenciado algo que não achava mais que iria acontecer, pelas baladas que fiz nesta época com meus amigos, pois revi mais de 20 pessoas que eu sei que me adoram e se preocupam muito comigo (e estavam com saudades, assim como eu), por estar cada dia melhor na academia, por estar fazendo mais amigos lá, por todos os professores me cumprimentarem e me chamarem para as baladinhas da Runner, por eu trabalhar que nem um doido dando plantão e isso não me incomodar, conseguir esse estilo de vida workaholic e me divertir ao mesmo tempo, ganhar razoavelmente bem (5 a 6 mil/mês é razoável para médico). Eu não me importava que todo o meu salário fosse embora em terapia e remédios tradicionais e alternativos caríssimos (além de gasolina, celular, etc), pois eu estava feliz.

    O que faltava? Eu tomar coragem e estudar para a prova de residência, meu ultimate trauma. Mesmo tendo ido às aulas de revisão, tendo feito alguns amigos na turma que vi as aulas, eu não consegui, por um momento, ler UMA página de meu caderno de revisão. Até a prova, onde, inevitavelmente, falhei, por não ter estudado. Como não estudei nunca, desde que me formei, tirando uma coisa ou outra importantes para o trabalho.

    E mesmo assim eu era um bom médico. Um dia, no Hospital (fresco) que eu dava plantão e me afastei temporariamente, houve um almoço particular com o chefones de lá. Com o Big Boss. Todos os plantonistas tiveram o seu almoço com o cara que manda lá. Todos me disseram que ele apontou rigorosamente todos os defeitos e reclamações que o plantonista que estava almoçando com ele recebia.

    No meu dia, tudo o que ele fez foi perguntar o que eu achava que deveria melhorar no Hospital por causa de reclamações dos pacientes em relação à atendimento de enfermagem, demora na recepção, ou seja, nada pertinente à minha função como médico.

    Eu era bom, e muitos diziam isso, apesar de eu não achar. Sempre me achei meio inseguro. Porém eu via certa insegurança em absolutamente todos os médicos que já conheci. Ou eu me cobrava demais ou eles não se importavam tanto em não saber isso ou aquilo. Afinal a Medicina é extensa demais, e muitas vezes um quadro apresentado pelo paciente é impossível de ser explicado, mesmo por quem tem muito conhecimento.

    O que aconteceu? Eu afundei na prova de residência por não ter estudado. Pela terceira vez. tirando a primeira vez, em que fui podado injustamente (minha nota era boa, mas quiseram colocar filhos de professores na minha frente, mesmo eles tirando nota menor que eu e eu próprio sendo filho de professor lá, e não precisando de ‘incentivo’ para entrar pela minha nota).

    Com a terceira derrota, minha vida afundou de novo. Desde Janeiro. Fui largando os empregos aos poucos. A dermatite voltou a ser frequente. Com ela ruim, não pude mais praticar exercícios. Até que ela chegou a um grau que não conseguia mais trabalhar, saí do último plantão péssimo. Comentário da minha amiga e colega: ‘Seu rosto está em carne viva’.

    Eu não sei bem se foi só isso o que causou minha piora. Mesmo momentos maravilhosos com uma moça que conheci esse ano não ajudou em nada meu quadro.

    Acabei largando tudo. 1 mês que não trabalho e estou em casa. E mal saio dela.

    Não é que acho que nunca mais vou melhorar. Eu acho que vou. Talvez em 2 seamanas, talvez em 1 mês, talvez em 6 meses. Até lá conseguem me sustentar, apesar de me sentir explorando meus pobres pais aos 27 anos.

    Meu medo é não ter forças para fazer tudo voltar. Todo mundo já passou por uma fase em que desistiu de alguma coisa porque não estava bem e depois voltou e sabe como é difícil. O que a maioria não sabe é como é difícil fazer isso o tempo todo. Em 2003 não consegui completar um curso de francês por causa da dermatite, tive que terminar de pagar o plano semestral da Competition sem poder ir… E agora de novo, 3 meses de Runner idos para o lixo, pois esse ano não pude ir mais que 5 vezes.

    E agora finalmente, sem emprego. claro que posso conseguir um emprego amanhã, se quiser, mas não quando estou me coçando tanto que não posso ficar mais de 10 minutos longe de um ventilador e um hidratante.

    Eu vou melhorar, eu sei. Sempre melhoro, o que varia é o tempo que passo ruim. Porém, o meu grande medo, o que toda noite me perturba, é: estarei de novo pronto a encarar o mundo e iniciar vários projetos que gostaria com o risco de ter de desistir deles de novo? Conseguirei um dia ao menos pelo menos ler meus cadernos e livros de Medicina com a finalidade de passar na residência? Residência, uma palavra que para mim agora é sinônimo de ’sonho impossível’.

    E só tenho mais medo da palavra ‘residência’ do que das palavras ‘dermatite atópica’, que é a doença alérgica que me causou tudo isso. Ok, eu sempre a tive, mal incomodava, uma coceirinha de vez em nunca no cotovelo, dentro dele, atrás do joelho. hoje em dia, ferimentos e sangue e cicatrizes em todo o meu corpo, algumas no rosto.

    Minhas duas maiores preocupações são: primeiro, melhorar de novo, não precisa ficar perfeito, só o suficiente para levar uma vida quase normal, e, segundo, ter a força de vontade necessária para começar tudo que eu acho bom de novo quando melhorar.

    A pessoa que mais presenciou minhas crises até hoje (pois foi minha ex namorada e é minha melhor amiga há 4 anos e meio depois disso) disse que eu sou a segunda pessoa mais forte que ela conhece, depois da minha mãe. Que qualquer outro nessa condição, ela acha que já teria desistido. Se ela estiver certa, ótimo. Espero que sim.

    A maior parte do tempo até hoje eu gostei da minha vida. Não é à toa que tenho tantos amigos, e, estando tão ausente deles, tenho medo de perdê-los. Até digo isso para os mais próximos, e espero que eles me perdoem, no fundo me sinto envergonhado de ficar trancafiado em casa com minha TV, meu iMac e meu Playstation2 sem fazer absolutamente nada de útil. Mas como posso, me coçando tanto e tendo de trocar a camiseta às vezes após 30 minutos porque ela está cheia de sangue?

    Espero me reencontrar de novo. E que, por Deus, por tudo, que eu não venha a ter uma época tão desagradável como essa em minha vida de novo.

    Já há sofrimento o suficiente em minha estória. Suficiente para tornar um homem jovem extremamente amargo e desiludido, como eu fico alguns dias. Como eu fico nos dias em que estou pior.

    Como ontem.

    Tudo o que tem um começo tem um fim. Este fim não será trágico, mas não quero que seja triste, que seja conhecido como um desperdício de tudo o que eu poderia ter feito.

    Escrevi tudo isso simplesmente porque necessitava… desabafar.

    ‘Cold and frosty morning,
    There’s not a lot to say,
    About the things caught in my mind,
    And as the day was dawning,
    My plane flew away,
    With all the things caught in my mind,

    I don’t wanna be there when your, coming down,
    I don’t wanna be there when you hit the ground,

    So don’t go away,
    Say what you say,
    Say that you’ll stay,
    Forever and a day,
    In the time of my life,
    Cos I need more time,
    Yes I need more time just to make things right

    Damn my situation and the games I have to play,
    With all the things caught in my mind,
    Damn my education I can’t find the words to say,
    With all the things caught in my mind,
    I don’t wanna be there when your, coming down,
    I don’t wanna be there when you hit the ground,

    So don’t go away,
    Say what you say,
    Say that you’ll stay,
    Forever and a day,
    In the time of my life,
    Cos I need more time,
    Yes I need more time just to make things right.

    Me and you what’s going on,
    All we seem to know is how to show,
    The feelings that I wrote.

    So don’t go away,
    Say what you say,
    Say that you’ll stay,
    Forever and a day,
    In the time of my life,
    Cos I need more time,
    Yes I need more time just to make things right.

    And don’t go away,
    Say what you say,
    Say that you’ll stay,
    Forever and a day,
    In the time of my life,
    Cos I need more time,
    Yes I need more time just to make things right,

    Yes I need more time just to make things right,
    Yes I need more time just to make things right,
    So don’t go away.’

    (Don’t Go Away - Oasis)

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    8/04/05

    Empty Days

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 19:05

    Ontem eu quebrei recordes e assisti TV por 24 horas seguidas porque eu não podia me mexer muito pela dor e não conseguia dormir também por causa da dermatite. Quase um mês sem sair de casa (desde o último plantão que dei… 14 de março), com exceção de idas ocasionais à banca e à padaria.

    Não é que ando depressivo ou especialmente preocupado em viver desse jeito por enquanto. O problema é que eu estou percebendo cada vez mais que desisti de tentar, pelo menos por enquanto. Sim, ando tomando minhas medicações, passando mil cremes, etc, mas estou meio convencido que nada que eu fizer vai me tirar dessa vidinha um-quarto-de-boca, que vou passar um bom tempo assim.

    Ainda acho que um dia voltarei a ser médico, serei residente, voltarei a ser viciado em academia, acharei minha Brittany Murphy, conhecerei boa parte do mundo, voltarei a ver meus muitos amigos com frequência, coisa e tal.

    O problema é que esse ‘um dia’ foi adiado por tempo indeterminado porque eu simplesmente não acredito mais que vá ficar bom tão cedo, não importa o que eu faça.

    The aim of life is self-development.
    To realize one’s nature perfectly - that is what each of us is here for.
    (Oscar Wilde)

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    1/04/05

    15 minutos.

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 1:16

    15 minutos. 15 minutos de coceira, de crise de dermatite.

    É só o que leva pra eu sair de um estado relativamente normal pra um estado completamente doloroso, cheio de feridas, nojento, cheirando mal, sangrando e tudo o mais.

    E quando esses 15 minutos ocorrem várias vezes ao dia, não dá para viver.

    Não quero mais sair. Não consigo mais fazer nada. Não há paz, em casa ou fora dela.

    Não quero que minha estória acabe assim, vou tentar ser paciente e esperar.

    Mas praticamente não dá mais para sair de casa e isso é extremamente irritante.

    ‘My life’s one big dream
    I’m lost in what it means
    Don’t wake me up ’cause it’s almost over’

    (Almost Over - Limp Bizkit)>

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