Kioshi - médico, blogueiro, tradutor, pop, perdido na vida. Porém, sem nunca perder a classe.

(veja como doar - mínimo de R$ 3,00 caso você deseje doar, senão as taxas engolem tudo...)

Amigos e leitores (clique aqui para adicionar sua foto):


Campanha de Arrecadação:R$ 5.492,00
(leia sobre - veja as estatísticas até agora)

Menu:
* Página Inicial * Posts Pessoais * Tecnologia
* Humor * Enquetes * Campanha



31/07/05

My Angel

Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 7:26


Se você acha que tempo é algo absoluto, você está completamente errado.
O que acontece é que você nunca passou por algo que te perceba enxergar isso.
Não estou sendo arrogante, tampouco prepotente ou dono da verdade. Eu simplesmente sei que estou certo neste caso, tendo aprendido isso talvez da pior forma possível.

Nos últimos 3 anos, eu sofri por mais de cem. Metade deles só este ano.

Mesmo quando estava bem melhor que hoje em dia e trabalhando no Pronto Socorro, eu atendia e salvava pessoas que estavam visivelmente lutando para ficar vivas. E eu já me perguntava, ‘Por que ela quer viver? Este mundo é feito de dor e tristeza’. Sabia que meu raciocínio não era saudável, mas eu já estava cansado demais. Cansado de viver. Cansado de lutar, de gastar tudo o que ganhava em psicoterapia para ‘descobrir’ problemas que hoje sei que não tenho e em medicina alternativa para tentar amenizar minha doença.

E ela só piorou, progressivamente.

Por mais que tenham me dito que a maioria das pessoas não aguentaria o que ando passando e que sou forte e tudo o mais, ninguém, a não ser alguém também com dermatite atópica grave, entende exatamente o que é passar por isso todo dia. Posso queimar no inferno por escrever isso, mas o que Jesus Cristo passou não chega nem perto desses meus 100 anos de sofrimento. Não mesmo.

E por isso, mesmo as pessoas me achando forte, corajoso, etc, o meu maior desejo nesses últimos tempos nunca foi outro além de ir embora. Sim, ir embora daqui. Nunca fui pessimista, eu só não estava aguentando mais. Também sabia que eu nunca cometeria algum ato suicida, por isso alguns dias torcia, secretamente, para algo acontecer comigo. Algum acidente, alguma coisa que me levasse embora.

Ainda estou tendo minhas crises, ainda está tudo uma merda nesse aspecto, estou tentando vender tudo o que posso para meu nome não ir para o SPC, ainda estou sofrendo demais.

Porém, de duas semanas para cá, eu renovei minhas energias, apesar de toda a merda que ainda me incomoda. Eu não quero mais ir embora, eu quero sair dessa.

E fundamental para isto foi ela. A dermatologista linda, inteligente e engraçada que fiquei há pouco, e, desde ontem, minha namorada. Eu não gostava de alguém tanto assim há mais de 4 anos, mesmo com tantos rolos que tive nesse tempo.

Ela faz meus momentos de crise mais suportáveis.
Ela torna a minha vida mais leve.
Ela me faz rir em dias que eu nunca imaginaria esboçar nem um sorriso falso.
Ela me dá força de vontade para eu aguentar tudo isso e tentar resolver meu bloqueio para estudar.
Ela me faz querer ficar aqui e não ir embora.

Ela caiu do céu para mim.

‘I,
I am
So unsure
Every minute that waits
Every second that I’m away
From you

Don’t you know that love
Is a way that
Has no rules
Know that I’m loving you
Even if it’s
A fool that waits in vain
Waits in vain

Yesterday it hit me
I felt we were slipping away
Say you if you can it’s okay
Just like you said way then

Sometimes I fall
And I feel like
I don’t know the way

Won’t you say if you can it’s okay
Just like you said then
Just like you said

Now
Now my days become long
Okay
I know I’ll never be the same
The same again

So please
Don’t let
Don’t let my lows bring you down
Always try to know that
I need you
Yes I do
Yes I do… oh

(Just Like You Said - Seal)

Posts Relacionados:
  • 3191724
  • -O preconceito contra programas dublados n�o tinha me deixado descobrir...
  • 88944781
  • -Eu gosto de ter�a feira porque passa Buffy, Angel e...
  • 91207725
  • -'Life never is, and will never be, exactly the way...
  • 4116326
  • -Quem ainda n�o viu, tem que ver Dark Angel. Puta...
  • Angel of Sadness, Leave me Alone…
  • -Eu adoro The Cardigans e a vocalista, a Nina Persson....

    • • •


    26/07/05

    One day at a time.

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 16:02

    Hoje é um daqueles dias negros.

    Dias que me fazem relembrar que tenho uma doença extremamente limitante.
    Que me fazem relembrar que pode demorar muito até que eu volte a trabalhar.
    Que me fazem relembrar da minha capacidade de aguentar toda essa dor.
    Que me fazem relembrar que eu terei mais dias como esse.

    Dias que me tiram uma parte de mim e me fazem sentir menos como uma pessoa e mais como uma doença viva.

    Posts Relacionados:
  • 1654009
  • -Um trecho da m�sica com a qual eu mais tenho...
  • 2219631
  • -Every day and every night I always dream that you are...
  • 89874176
  • -Rise and Shine, Love Get up now, it's time to start. Time...
  • 2273387
  • -I want to move in time with you I want to...
  • 80549703
  • -I think I'm growing up. (Time t'let it go, boy. Time...

    • • •


    24/07/05

    And Now For Something New…

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 17:44

    Image Hosted by ImageShack.us
    E agora, para que o mundo todo possa desfrutar de meus pensamentos e devaneios super úteis (sim, eu sou um altruísta por natureza ;-), este blog ganhou uma versão em inglês!

    O endereço é ki0shi.blogspot.com (o que muda é que tem um zero no meio do kioshi em vez da letra ‘o’).

    Spread the word, mates! Kioshi is ready to take on the whole ‘net ;)

    Posts Relacionados:
  • No related posts

  • • • •


    Bloglines

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 16:24

    Se você usa o magnífico Bloglines (um site para ver todos os blogs e etc que você ‘assina’ - veja minha página no BL para um exemplo - e obviamente para ver os sites mais legais que existem, já que *EU* os assino ;-), pode assinar meu blog clicando neste botão aí:

    Assinar com Bloglines

    Posts Relacionados:
  • No related posts

  • • • •


    Lame Excuses

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 14:52

    Sei que não ando escrevendo muito aqui, mas é que nesses últimos dias meu lado geek aflorou (ui!) e ando postando mais no Meio Bit e no Gadget Boy.

    Aliás o Tricolor tá fogo não? Acho que deviam voltar a jogar com o Expressinho, o time principal ainda está muito deslumbrado com o tricampeonato da Libertadores (não que eu os culpe por isso). Mais um pouco e o São Paulo vai pra zona de rebaixamento!

    Aaaaaaaaanyway, se você manja de inglês, veja o último Strong Bad Mail. Eu ri pra cacete, clique na figulinha abaixo pra ver!

    Image Hosted by ImageShack.us

    Posts Relacionados:
  • 84599719
  • -Eu adoro Blink 182 porque as letras costumam falar muito...

    • • •


    21/07/05

    Nice Things Happens to Nice People… Sometimes.

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 12:20

    E não é que ontem me acontece uma coisa boa? Sem final decepcionante desta vez.

    Saí com uma amiga, rolou um clima, fiquei com ela.

    Eu sabia que era uma date antes de sair… Por isso nunca fiquei tão nervoso antes de um encontro. E eu nunca tive muita ansiedade pré-dating não.

    Por que justo desta vez? Porque meu rosto estava (está) cheio de marcas (temporárias) devido à dermatite, há 5 dias eu estava inválido, mal saí de casa nos últimos 4 meses e já pulei direto pra um encontro.

    Mas foi ótimo… Ela já tinha me visto mal antes, ela entende minha doeça quase perfeitamente (pois está fazendo Dermatologia), além de bonita, charmosa, interessante e engraçada demais ;)
    Tá, eu tive crise depois, hoje não estou ‘top’, mas só agradeço pela noite de ontem.

    E aos meus amigos por insistirem tanto para eu não desmarcar… Eu estava realmente procupado com minha aparência. Mas acabou não sendo um grande problema ;)
    ‘É preciso dominar seus medos e usá-los a seu favor…’ - Batman Begins

    ‘Then the rainstorm came, over me
    And I felt my spirit break
    I had lost all of my, belief you see
    And realized my mistake
    But time through a prayer, to me
    And all around me became still

    I need love, love’s divine
    Please forgive me now I see that I’ve been blind
    Give me love, love is what I need to help me know my name

    Through the rainstorm came sanctuary
    And I felt my spirit fly
    I had found all of my reality
    I realize what it takes

    ‘Cause I need love, love’s divine
    Please forgive me now I see that I’ve been blind
    Give me love, love is what I need to help me know my name

    Oh I, don’t bet (don’t bend), don’t break (don’t break)
    Show me how to live and promise me you won’t forsake
    ‘Cause love can help me know my name’

    (Love’s Divine - Seal)

    Posts Relacionados:
  • All The Lonely People
  • -Peguem a versão do Thrice dessa música dos Beatles, é...
  • 85187229
  • -You are beautiful, intelligent, and young. You have loving parents and...
  • I am afraid
  • -Leiam essa do eneri dot net. Acho que todo mundo...
  • 1832937
  • -2001 prayer I wish to close my eyes and think hard...
  • 1811992
  • -Como diz o Fireball, quero come�ar 2001 quebrando tudo! Primeiro vou...

    • • •


    20/07/05

    Technosexual

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 13:20

    Hoje é o 4o dia que ando melhorando (bate na madeira).

    Que Deus me ajude a continuar assim.

    E hoje descobri que não sou mais metrossexual, sou TECNOSSEXUAL.

    Do Terra Moda:

    ‘O autor do revolucionário termo é Ricky Montalvo, um físico e matemático americano amante dos computadores que define o tecnossexual como um ser narcisista e urbano, fascinado pela informática, com um alto nível de vida.

    Trata-se de um homem adepto das práticas esportivas, preocupado com sua alimentação e com seu corpo, mas que rejeita o uso de cosméticos e de cirurgias plásticas. Ele prefere usar todo o seu tempo explorando seu laptop, revisando sua agenda eletrônica e instalando em casa ou no carro os mais avançados sistemas de som.’

    Tem até um site, Technosexual.org.

    * technosexual (tek.noh.SEK.shoo.ul) n. A male with a strong aesthetic sense and a love of technology.

    Tá certo que meu Palm anda comendo poeira e desativei meu celular já que ando quase sem sair de casa, mas sempre adorei tecnologis e moda, mas nunca fui fã de cremes para o dedão do pé ou frescuras com cosméticos, uso hidratante por obrigação.

    Então pronto, sou TECNO.

    Antes vc perguntava ‘O cara é gay ou macho?’. Já hoje em dia anda mais complicado… tipo:

    ‘E aí, o Zeca é homo, hetero, metro, emo, tecno ou bi?’

    Tempos nebulosos…

    Posts Relacionados:
  • No related posts

  • • • •


    17/07/05

    The news scare me.

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 8:40

    I See Dead PeopleNão sei por que as pessoas gostam tanto de ler jornal, eu leio direitinho mais ou menos uma vez a cada 3, 5 dias (depende da intensidade da minha dermatite, etc, tem dias que eu só durmo ou fico na net ou na cama), e toda vez que leio fico deprimido:

    - Torcida São Paulina depreda a Avenida Paulista após a vitória na Libertadores.

    - Corintiano é morto por outros 2 corintianos porque estava indo ver o jogo com amigos são-paulinos.
    - José Serra chama cidadão de petista porque ele reclamou que Serra cortou benefícios de sua profissão e diminuiu o horário de funcionamento da creche de sua filha.

    - A Daslu, loja mais prestigiada e requintada do país, (e da América Latina) é um antro de corrupção.

    Isso só no jornal de ontem.
    E os americanos ficam anos lembrando, fazem filme, de coisas como o tal do Watergate, que aqui acho que ganharia 1 coluna no jornal. Imagina se algum político desvia dez mil dólares lá e é descoberto, entra pra historia do País.

    Eu tô com o jornal de hoje aqui do meu lado, mas tô com medo, acho que vou ler só o suplemento do Jornal do Carro.

    Posts Relacionados:
  • 6278731
  • -Do site Wired News: Rep. Vernon Ehlers (R-Michigan) offered his own...
  • 87312602
  • -O carro mais caro do mundo. Motor de 16 cilindros com...
  • 89476934
  • -Quero um desses. Quero um desses. Quero um desses. ...
  • 75667520
  • -A morte do Layne Staley me fez lembrar da �poca...
  • Totally nerd test
  • -Totally nerd test Qual sistema operacional voce é? ...

    • • •


    15/07/05

    TRIIIIIIIII-COLOR!

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 0:19

    Image Hosted by ImageShack.us

    Image Hosted by ImageShack.us

    Image Hosted by ImageShack.us

    Posts Relacionados:
  • 6740858
  • -I am tired. I like knowing I can count on...
  • 6743930
  • -There is no such thing as perfection. Yet is it...
  • 4783347
  • -You live your life like it's a coma So won't you...
  • 8527844
  • -Por onde voc� anda? Me liga, sweetie. Quero saber de voc�....
  • 77042364
  • -Where are you? Where are you to hold me when I...

    • • •


    13/07/05

    Waking Life.

    Categoria(s): Pessoal — kioshi @ 15:54

    Image Hosted by ImageShack.us

    Kioshi, após ter ido à casa de seu grande amigo Rodrigo para ver seu novo computador ultra rápido e seus jogos incríveis, saiu com ele e mais alguns amigos que tinham em comum para um barzinho na Rua dos Pinheiros.

    Lá, eles conversaram e riram muito, contando histórias passadas de relacionamentos que não deram certo, ‘causos’ sexuais que tiveram algo de cômico no meio, enfim, uma conversa agradável centrada em mulheres com tom predominantemente humorístico, um jeito tanto de compartilharem as experiêcias ‘bizarras’ que já tiveram como também uma forma de se aliviarem ao contar certas frustrações que já tiveram em relacionamentos passados sob um enfoque descontraído.

    Kioshi, em sua constante e bem conhecida inquietação, como sempre tinha outros pensamentos em mente, mesmo quando estava rindo, conversando, mesmo quando estava completamente focado no papo. Sempre imaginou ser esta uma das razões pela qual, por mais amigos e pessoas que sempre tivera ao redor, independente de estar namorando ou não, ele sempre se sentira um pouco isolado, de certa forma que não conseguia explicar, de todo o mundo.

    Pelo menos esta inquietação sempre lhe deu a vantagem, muito admirada por quem o conhece bem, de fazer e prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo. Desta vez, ele estava dirigindo seu olhar a uma menina morena, magra, de pele extremamente clara e compleição delicada, que estava sentada em frente a uma outra, esta com cabelos castanho claro, corpo curvilíneo, um verdadeiro mulherão, como comentou um de seus amigos ao reparar nos constantes e rápidos olhares de Kioshi para aquela mesa.

    Seu amigo então sugeriu que usassem a tática básica de ‘chegar os dois nas duas minas’, e Kioshi concordou. Não saía há tempos, e além isso ele achava que estava sendo levemente correspondido pela menina de olhos negros e cabelos compridos que o deixou levemente fascinado.

    Seu amigo, sempre o engraçadinho, chegou entretendo as duas, e logo começaram a conversar. Kioshi, após uma conversa superficial (como todas as conversas com estranhos em um bar) com a tal menina delicada e meio tímida, que se chamava Clara, e, meia hora passada, confessou a ela que estava ‘sem assunto’, mas que não queria sair de lá porque estava gostando demais daquele momento. Ela sorriu e passou sua mão sobre a dele, e ele também sorriu, e ambos se integraram ao animado bate-papo entre seu amigo e a irmã de Clara, Vanessa.

    A noite foi obviamente muito agradável, e ao final dela seu amigo e Vanessa já estavam trocando beijos demorados, e Kioshi se despediu de Clara com um selinho, e voltou para casa tendo que aguentar seu amigo perguntando o que tinha acontecido com ele, que costumava ser o mais ‘rápido’ em ficar com alguém, além da tiração de sarro dos outros amigos, por ter de ‘aguentar’ uma noite inteira de conversa só em troca de um beijo mixuruco.

    Mas Kioshi não se importou, só ria deles, e com eles. Eram seus amigos queridos e achar qualquer motivo para tirar uma com a cara do outro sempre fora prática de rotina entre eles.

    Os quatro foram ao cinema dois dias depois, e viram um filme com uma cena que tocou Kioshi profundamente por sua beleza, por sua forma de demonstrar amor na forma mais pura, física e espiritual ao mesmo tempo. Comentou depois com Clara sobre a cena, e ela disse ter se sentido muito emocionada na hora. O outro casal mal viu o filme, e ao se despedir da menina universitária de apenas 19 anos que o fascinava, Kioshi finalmente a beijou ‘decentemente’, como seu amigo definiu depois.

    Após chegar em casa (sorte dele de seu amigo morar perto, pois Kioshi tivera seu carro roubado há pouco), ele foi tomado por dúvidas: por que gostava tanto daquela menina? Sim, era uma menina, não uma mulher, relativamente ingênua (não que ele também não o fosse aos 19 anos), que o fazia rir facilmente, que tinha um entusiasmo, um deslumbramento enorme pela vida. Kioshi pensou se estaria em algum tipo de crise precoce de querer resgatar sua ‘juventude’, mesmo ainda tendo 27 anos. E, bem, ele sempre foi considerado e se condiderou uma pessoa empolgada e feliz também, nunca houve nada de terrivelmente errado com ele para ter um motivo destes para se aproximar de alguém. Ele não chegou a uma conclusão mais profunda, além de que simplesmente gostou imensamente dela.

    À noite, ao estar naquele estado entre o despertar e o sono, foi interrompido por uma terrível aflição: a percepção de que ele tinha de aproveitar cada minuto de vida que lhe fosse prazeiroso, viver cada dia como se fosse o último, porque seus dias estavam contados. Ele não sabia o motivo disto, não sabia quanto tempo de ‘vida’ teria, ou mesmo o que significava isto. Só sabia que aquilo tudo era uma verdade inevitável.

    Os dias passavam rápido em seu trabalho, meio período em um ambulatório, bem tranquilo para quem tinha trabalhado tanto em pronto socorro (Kioshi estava se dando uma folga de seu período workaholic, ele não lembrava o motivo que o levou a isso, mas parecia o certo a fazer), e passou a conhecer Clara cada vez melhor nessas duas semanas e a gostar cada vez mais dela. Seu jeito tímido em público encobria alguém que adorava rir de tudo, tinha sempre os olhos brilhando de entusiasmo e conseguia tirar qualquer resquício de tédio ao passar o dia com uma pessoa. Kioshi, que sempre tivera um jeito meio ‘bobo alegre’, como ele definia, foi ainda mais influenciado por Clara nesse sentido, e, como estavam sempre com outros dois casais, o de seu amigo e sua ‘cunhada’, e o de seu melhor amigo da Faculdade e sua noiva, logo foram apelidados por eles de ‘casal sem noção’. Seus amigos diziam que os casais adolescentes de 14, 15 anos que viam por aí pareciam agir de forma mais séria e adulta que Kioshi e Clara.

    Foi voltando a pé de um bar com esses amigos que o casal levou o maior susto de seu curto relacionamento até então: Kioshi e Clara haviam ficado para trás, rindo de alguma coisa juntos, falando besteira, bêbados, e seus amigos, já acostumados com o comportamento deles, não ligaram e acharam normal e rotineiro, pensaram que logo eles voltariam correndo para alcançá-los.

    Foi quando eles presenciaram dois indivíduos tentando arrombar um Gol parado na esquina. Kioshi puxou Clara para andar rápido e silenciosamente, mas ela, em sua ingenuidade e levemente bêbada, acabou por falar em voz alta ‘Olha! Estão roubando o carro!’, o que deixou os dois homens extremamente nervosos, gritando que iriam pegá-los (falando extremamente rápido e num tom de raiva anormal, o que fez Kioshi suspeitar que estavam drogados). Um deles deu um tiro na direção do casal, que atravessou os vidros do carro que tentavam arrombar, e Clara caiu em meio a todo o barulho – os gritos, o vidro se estilhaçando, o tiro. Os homens saíram correndo, e Kioshi, tremendo nervosamente mais do que achara ser possível, viu Clara caída com um pouco de sangue em sua testa.

    Gritou para os amigos voltarem, checou os sinais vitais dela, completamente em pânico porém tentando manter seu raciocínio médico, e constatou que o sangue vinha apenas de uma laceração por Clara ter, de fato, desmaiado. Sabe-se lá onde o tiro foi parar, e em um minuto Clara despertou.

    Kioshi olhou em seus grandes olhos negros e a abraçou como nunca abraçara alguém antes. ‘Eu não a perdi’, pensou. E, ao abraçá-la, ambos chorando, ele se sentiu em casa. Ele se sentiu no lugar mais seguro do mundo ao se entregar completamente nos braços dela. Ele não se sentiu mais sozinho da forma que não sabia explicar, como em toda a sua vida, pela primeira vez. PELA PRIMEIRA VEZ EM SUA VIDA, ELE NÃO ESTAVA SOZINHO. O inexplicável isolamento que parecia fazer parte de sua alma sumiu.

    Na semana seguinte, foram viajar com outros amigos para um semi-albergue (semi porque havia chalés, onde eles ficaram) no meio da natureza, que Kioshi sentia tanta falta em São Paulo, para mudar um pouco de ambiente e tentar esquecer de vez a parte ruim do ocorrido naquela noite.

    Havia um local, a céu aberto, onde as pessoas hospedadas se reuniam à tarde e à noite para se conhecer e conversar. Na segunda tarde, lá pelas três horas, teve início uma chuva que em alguns minutos se transformou em um temporal. Muitas pessoas estavam lá na hora, pois havia um pessoal que tinha uma banda e estavam tocando versões acústicas de clássicos do Led Zeppelin e Doors. Todos saíram correndo, menos Kioshi e Clara.

    Olharam um para o outro e se lembraram da cena do filme que mexeu tanto com ambos: uma tempestade trovejante no meio de uma festa, todos procurando abrigo, e os personagens principais, um casal, se entreolharam e resolveram fazer amor no meio da tempestade. Aquela cena mexera muito com Kioshi, talvez porque mostrava que um momento de extremo prazer é maior que qualquer adversidade, ou talvez por algum clichê do tipo ‘o amor supera tudo’, ele não sabia bem. Só sabia que o tocou imensamente.

    E, nessa hora, o pensamento de Kioshi e Clara era o mesmo, e eles fizeram sexo pela primeira vez. Uma sensação gélida, a mesma que ele tivera na noite em que teve aquela terrível percepção que isso não duraria, percorreu a espinha de Kioshi quando voltavam para o chalé, mas ele não ligou, pois estava feliz.

    Voltaram de viagem, Kioshi conheceu a mãe de Clara, que o olhou com certa suspeita, talvez por ter identificado mais o lado moleque dele do que suas ‘credenciais’ por ser médico e coisa e tal. Afinal, do jeito que ele agia ao lado de Clara, ficava difícil dizer quem era mais velho ou mais novo.

    Ele deixou a casa dela satisfeito, pensando que nunca tinha considerado ficar com alguém por muito tempo, talvez (era cedo para dizer) por boa parte de sua vida, e se sentia outra pessoa desde que sua sensação de isolamento se dissipara na noite em que levou aquele terrível susto.

    —————————————————

    Bom, depois disso eu acordei. Tive a crise de dermatite habitual pós despertar, enquanto pensava ‘eu não acredito que eu isso foi só uma porra de um sonho’.

    Já tive sonhos que pareceram ultra realistas, mas nunca que duraram ‘um mês’ (e realmente pareceu que vivi um mês, mal acreditei que foi ontem que fui à casa do meu amigo ver o computador dele – e depois fui dormir – quando no sonho saí com ele e mais dois amigos para um bar). Também nunca tive um sonho ‘real’ com personagens/pessoas ‘inventadas’, e nunca consegui sentir uma sensação como a que senti neste, de não estar sozinho no mundo (sim, sempre me senti assim de certa forma). Até uma cena de filme eu inventei.

    Por isso tive de transcrevê-lo, mesmo tendo sido só um sonho. E houve muito, muito mais detalhes que deixei de colocar aqui…

    Mas não posso dizer que acordei feliz ao realizar que ainda estou nessa vida de ‘survival mode’ na qual não vejo sentido ou propósito algum além de tentar passar cada dia da maneira menos sofrida possível.

    ‘Then the rainstorm came, over me
    And I felt my spirit break
    I had lost all of my, belief you see
    And realized my mistake
    But time through a prayer, to me
    And all around me became still

    I need love, love’s divine
    Please forgive me now I see that I’ve been blind
    Give me love, love is what I need to help me know my name

    Through the rainstorm came sanctuary
    And I felt my spirit fly
    I had found all of my reality
    I realize what it takes

    ‘Cause I need love, love’s divine
    Please forgive me now I see that I’ve been blind
    Give me love, love is what I need to help me know my name

    Oh I, don’t bet (don’t bend), don’t break (don’t break)
    Show me how to live and promise me you won’t forsake
    ‘Cause love can help me know my name

    Well I try to say there’s nothing wrong
    But inside I felt me lying all along
    But the message here was plain to see
    Believe me

    ‘Cause I need love, love’s divine
    Please forgive me now I see that I’ve been blind
    Give me love, love is what I need to help me know my name

    Oh I, don’t bet (don’t bend), don’t break (don’t break)
    Show me how to live and promise me you won’t forsake
    ‘Cause love can help me know my name

    Love can help me know my name.’

    (Love’s Divine - Seal)

    Posts Relacionados:
  • 76502916
  • -Rise again Wake up, boy. It's time. Let's go. It's time to...
  • 78568762
  • -Ando com uma fome de vida imensa, vontade de fazer...
  • 82587193
  • -Pois � - sa� de balada. Fui pra Infinity, mas...
  • 88198087
  • -A song can say more than a million words 'Life's a...
  • 79866666
  • -Can't stop addicted to the shin dig Cop top he says...

    • • •