20 dias.
20 dias. 20 dias que não faço nada.
Há 20 dias, eu fiquei com uma menina e gostei muito dela, e acho que teria evoluído para ‘algo’, um namoro, provavelmente, e estava fazendo um monte de traduções, e pensando que isso poderia ser um bom jeito (temporário) de ganhar uma graninha enquanto eu ainda estivesse em minha fase de melhora.
Melhora o cacete.
Dois dias depois, a dermatite voltou com tudo e hoje já devo ter esfregado meu rosto na toalha e a tingido de sangue dez ou quinze vezes.
Eu nem liguei para ela - ando cansado de usar o chavão ‘estou incapacitado pela minha dermatite de novo e etc.’.
Esta situação já passou do suportável há muito tempo. Estou tão cansado que mal me movo, já que sempre dói. Acho que, nesses últimos vinte dias, eu chequei meus e-mails umas quatro ou cinco vezes.
E cada vez que tento algo novo, a dermatite melhora e eu acredito que não vá voltar na intensidade que estava, e depois volta, eu acho, cada vez com mais convicção, que é apenas o meu destino - vitimado por uma doença debilitante que parou minha vida e um dia ela volta a níveis controláveis ou fica assim para sempre, seja lá quanto tempo for ’sempre’.
E, num possível futuro, vão me perguntar:
‘Por que sua vida ficou parada por X anos?’
E eu vou responder:
‘Porque eu me coçava.’



